terça-feira, 25 de maio de 2010

Pena, tinta e alívio

Pena branca em meu tinteiro negro!
Marca o plano com a lágrima de teu fluído.
Minha haste amiga e generosa.
Não grita, mas também não silencia.
Porque escreve pensamento triste.
Porque eles não morrem;
Insiste em viver.
Permanece dentro;
E agora fora porque
Com teu bico meu corpo já falou
Haste fixa, sem som, mas sem silêncio.
Não fala do meu amor, não só saudade, mas
Dor, e sentimentos...
Nada mais que paixão com outro nome apenas.
Se não desgasto meus olhos com lágrimas
É porque tu me alivias!

Conceiça Santos

sábado, 22 de maio de 2010

Uma cara para a felicidade (Se)

Se me são alegres tuas asas de cores,

Se me são de anis borboletas.

Se me sorri tuas flores,

E me alegra toda manhã

É porque me ama Jardim.



Se me são de méis teus cantos

Pássaros lindos,

Se me são virgens teus ventos

E se me são puras tuas águas, rios

É porque também me ama Natureza.



Se me são férteis os dias,

Se me são produtivas e alegres

Meus trabalhos

Se me alimento quando tenho fome,

E se bebo quando tenho sede.

Se sinto dor e há como curar.

Se não tenho mais que o necessário,

É porque me ama;

E me é honesta a Vida.



Se meus amigos me vem sem eu pedir

Se me são verdadeiros mesmo que me doa

Se me dão carinho e presença sempre quando

Preciso é porque deve ser assim, tem que ser

Tão verdadeiro;

É porque me amam com o amor da amizade Amigos.



Se o companheiro me dar atenção.

Se me estiver presente não mais que o necessário.

Se me toca apenas no máximo que posso deixar tocar

Se me deixa dizer tudo que preciso

Quando realmente tenho que falar,

Se não me falta em momento algum do necessário,

Se me der amor por querer dar.

Se me sorrir agradecido quando eu disser-te amo.

É por que realmente me ama Companheiro.

E por isso que sou feliz, e é assim que se faz feliz.

Nada pode faltar, nada pode sobrar.

Conceiça Santos

terça-feira, 18 de maio de 2010

PROFUNDA


Traço com ódio o verme mortal da existência;
Com a tragada obrigação de agüentar por não poder
Arrancar de mim
Se não por meio da tirada da própria
Vida.
Como a covardia me vence e não me tiro as duas
Abaixo a cabeça para que um ato de cuspir
Meu ódio falsear um alívio.
No sonho da noite um descomprimir de tez
Ao acordar dobras fatais
Que mais de 20 anos me envelhece
E agonia de não ter no sono a tão pedida
Morte tranqüila. 
A comida amarga e água é fedida;
Porque não posso aguentar certas presenças
Que tenho de viver nesses mares de merdas de ideologias
De quem ver tudo perfeito onde tudo é turvo, tronxo e caos!
Como pode miséria de homem não sentir a própria carne?
Como não sente peso neste mundo de Massa e Peso?
A matéria não foi feita para ser sentida?
E os conceitos para serem pensados?

Conceiça Santos

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vícios e Rios

Quais foram os rios e os vícios que não correram o mundo buscando em que "viver", passar e/ou transcender? De encontro ao mar, ao lago, ao animal, onde só parar?
Quais foram os vícios e rios que não rasgaram espaços geográficos e humanos? Que
Não passou por muitas mãos? Que não encontrou na diversidade de bocas a magia de outras experiências? Doces, estreitas, colossais, mais ou menos vis, em fim.
Quais foram os rios e os vícios que repetiram seus andados nos mesmos lugares sendo os mesmos, todo dia os vícios se refazem. Se faz porque quem tem mantém, ou de outros tantos o fazer. Também os rios em si são outros. A dinâmica é inerente as esses fenômenos.
Quais foram os rios e os vícios que não sucumbiram no vazio da falta de alimento? Morreu? Não! Transfigurou-se em outros processos e/ou outros fenômenos. Um víco não morre, é controlado. Um rio não morre, seca, deixando no chão as cicatrizes. Posto assim, rios e vícios, transfiguram-se em outros processos - diversos, mas vive em suas marcas.

Conceiça Santos

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Paraíba


Oh! Minha bandeira, me chama, também me ama
Que eu sou só a te amar.
Sou da tua carne, do teu sangue, do teu veneno, do teu
Amor.
Sou irmã de todo aquele que teu ventre gerar.
Estou na tua alegria, na mesma via;
Na dor!
Sei que também em tua agonia.
Certo, que passará!
Estarei pronta para o momento de aliviar.
Sei que devias mais viver para ti. Mas digo, não
Por falta de te amar.
É que amo também tantas outras coisas,
Que em nada do meu amor por ti diminuirá.
As outras coisas ocupa  outros espaços, não o seu.
Mas, se sair volto logo. Volto para te acariciar.
Para o resto dos meus dias com você ficar.
Volto também para morrer no
Teu seio, no teu colo;
Beijando tua tão doce boca.
Tão hospitaleira gente.
 É só deixar para eu um lugar!

Conceiça Santos


quarta-feira, 5 de maio de 2010

Costa do Brasil

The coastal towns are very attractive and beautiful landscapes offer for fun.

Canto o Brasil (conto uma história)

Brasil virgem;

Sem mácula,

Descoberto e violado...

Massacre de ave penada,

Mancha negra de outra implantada?

Aristocrática, independência BRANCA;

Ai! Vertigem.

Puro basilisco, no olho o cisco;

No povo de pena faz-se um risco;

O incômodo negro se disfarça;

Panelas políticas; de sempre!

E bem ao gosto de hoje.

Gestação ruminante a garfo e faca.

Cosido e bem preparado,

Pescoço que veste branco; ao se descoberto

Pouco sofre;

Quadrilha informal.

Ai! Despiguimentado...

Quem disse que preto e pardo não é gente,

É desgraça?

A quem creditar à pobreza?

E tantas outras violências?

Fácil dizer entendo a dor... nacional,

E fazer, showmício, baile, festival.

Mas tantos gritam... Liberdade, democracia,

Representação, república! Mas que vem?

Fé! Ora-ara!

Tara...Vara!

Ainda tem “preto que lava pé”!

Tão claramente permanece.

Pai só muito axé! Axé, axé...

“analfabeto político empregando político analfabeto” ¹

Na esperança do letrado desbancar.

Foi o que vieram me falar.

Talvez o que sentiu fome o outro saiba alimentar.

Este não caminha as 17:00h na Sé!

Reforma agrária?

Projetos enfeites, maquilagens sociais,

Columbina, ponto e vírgula, carnaval.

[?]

Homens do povo, se animem!

Alegria, alegria!

Morte na periferia, prestimoso...

Caixão barato. Velas! Votos! 18? Hum!

Tudo começa com V

Ver se me entende.

Vejo se me paga.

Voto sim...Vou ver?

Se faço? E, estamos no Brasil...

Será que nada? Nada!

Negro mulato tinha que ser presunçoso.

Só agora vítima?

Preocupação, curral novo, segregação.

“Cota escurez”, concessão.

Negam o racismo do Brasil

Pela não nudez do fato.

Muitos advogam que não.

È para não pensar,

Mas fácil dizer que não tem solução.

Não importa se formal ou não;

Faz sofrer...

Ò! Chico! Faltam os bêbados politizados do

centro da cidade.

Falta todos saberem que nos matam por inanição.

Até de saber.

Ôh, minha mãe do oriente!

De olho azul?

Santificada!

Não, não, não! Não dê a ele não, o que é dele não.

Devolva não,

O que é dele não.

Preta Aparecida... grita aí também mulher!


Conceiça Santos.



1. desconheço o autor da frase.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Relações

Marido de moça;
Poça de vizinho;
Parede de Espinho;
Chifre sem odor;
Faca de afiador;
Lâmina de Gelo;
Raiva de espelho;
Prova de amargar
E se estragar nesse roça.

Conceiça Santo

domingo, 2 de maio de 2010

Ciúme de si

Tão medo de amar
Indecisão de viver o amor
Tão pena de si;
De se deixar levar
Não há grito e nem clamor...
O curso normal assim impedir,
Tão mesquinez
De sentir e se permitir.
Castiga tão ferozmente a possibilidade
Tão Palidez;
Tão Magoa, fere, mata
Depois é só sofrer a causalidade
Preterindo em fim, não ser amado.
Pena ingrata!
Tão deprimente vício de tristeza
Tão paz vazia, riso sem beleza
Tão falta de gosto
A doçura, a lágrima prazerosa da
Saudade. Tão tédio, odioso.
Solidão tão amarga sobremesa
Tão problema imaginado.
Tão ciúme de si mesmo,
Tão medo de perda,
Viver assim desalinado.
Destarte, tão excesso de cuidado.
Do que nem se quis receber tão medo;
Perde por nada ganhar.
E mais
Tão deliberação do outro, tão falado
Sem pensar, tão “culpar”,
Tão mundo insensato, voraz.
Tão traição dos propósitos, por inventar
Castigo da carne, tão perda para si,
Tão tristeza, no sentimento tão marcar.
Tão fel, tão veneno, tão punhal, ó! lança!
E nada de fato deixar chegar.
Consigo mesmo tão possessivo se avança,
Se não viver, nem experimentar a cena?
Não creio se poder amar
É só tu, todo (a) um (a) poema de pena!
Está fadado aqui só passar!
Tão sem cura...
Até querer enxergar. `

Conceiça Santos.