O que há entre tu e eu homem?
Não é mais do que uma faísca de desejo?
É uma chama aberta e ampla que tanto
Queima e nossas pazes consomem?
Há uma consterna intensa que na separação
Não mata, mas pesa, e sufoca tanto...
Que chega a ferir quando a outra parte está longe! Que
Sem ela não põe alívio nem salvação!
Há a inquietude da necessidade, há um desejo reprimido
Assim como há sangue que impera por fluir
Assim como a água anseia a tudo transmutar
Há na boca a ânsia de gritar a dor de desvalido
Não é mais que uma esperança pensativa?
Não é mais que uma esperança amedrontada?
Não é mais que um socorro trêmulo ao desejo do corpo?
É mais! Às vezes... é uma voz rouca e reativa.
Como não é esse amor aqui guardado...
Há de ser temeroso.
Que no silêncio choroso a carne morde
Sem pena e piedade graduado.
Foge os padrões de classificação do miserável que sente
Se perde de contar, mas medir todo tempo tenta
É uma espécie de pena para aquele que porta.
O que há é essa necessidade que desmente
A paz que a saudade devora sorrindo.
É mister nunca realizar completamente o amor?
Se não finda. Mesmo perto
Mesmo aqui contigo estamos sempre partindo.
Estamos a sentir dor, assim sempre, até mesmo querendo
Querendo sofrer porque é uma prova inconteste
Que está aqui esse sentimento que fazemos significar, por
Nossas verdades essa certeza obtendo
Alienado, factual ou retórico. Propomos um sonho inexplicado.
Queremos assim guardar lá, profundo, intátil
Esse algo imaterial, sui gêneris, que chamamos paixão e/ou fantasia!
Gerador deste estar mútuo, aureativo e com-pactuado!
Acontecimento quase que disforme. Dói, mas não é qualquer dor!
É a dor e a ânsia propositiva do acesso!
Chamemos do que for! O que há entre tu e eu
É a guina desse amor!
Conceiça Santos