domingo, 4 de abril de 2010

Angustia do homem viúvo de mim

A saudade grita rasgando o peito, e vivo, vivo! Que outra coisa há de fazer?
Procuro-a, e fico parado. Fria terra. Silêncio, silêncio... falta tua resposta. Falta a vida. O que existe? O que existe agora? Você me ouve? [silêncio]
Será que você me ver? Não sei mais o que é real. Não sei se deixo de acreditar. Não sei nem se acredito. Não sei se faço assim... se guardo a dúvida porque necessito. Tenho medo de estar sendo egoísta. Se acredito - estúpido. Não sabe como dói ver teu nome esculpido em um plano cartesiano. O que há? Guerra em mim. Rebuliço nos meus sentimentos. Onde fica minha razão? Esperança, versos e negação...Sai assim... Sem pensar.
Choro porque a vejo taciturna e com vizinhos tão cogitabundos, ou mais taciturnos ainda. Nada de teu mundo rasga o silêncio de tua morada. Ainda estou aqui. Caio de joelhos a teus pés, reviro o pó que é tua cobertura, imploro para que volte, grito, me rasgo até cansar em soluços. Não adianta! Paro e enxugo as lágrimas. Vou porque tenho que ir. Vou, mas se puder me ouvir... saiba que não por vontade própria, ainda a amo e queria aqui perto de você sempre ficar.

Conceiça Santos

(credito da imagem: internet: blog: cadernoalternativo.blogspot)