domingo, 29 de agosto de 2010

Não negas o que também é teu

crédito da imagem: internet.
Quem sabe um dia as vozes
De vezes
Dizeres
Outra vez velozes
Os gritos destes pardais.
Não avisarão
Nem aviltarão
O clarão de outros
Olhares.
Porque tem o perdão de não
Ser teu.
Não falhares
Nem malhares
Como o judeu
Que não folhares
O cipó que ia em cristo
Bater.
Não tem tempo de
Dizer.
Deter
O acusador
Pois nem sabia
Que em tua convicção
Tava se tornando um pecador.
Sempre esteve vivo
Mais teu irmão
Não entende o perdão
Que obriga o criador.
Pois alegra a manhã
Os cantos sonoros
Dos pardais
Em coros
No cais.
Que o pão até com o  
Corpo procura.
Pois essas imagens
Que achares ser loucura
Que os ventos em passagens
Leva ao repúdio
Dos teus brios
Cavalheiro, não sabes
Que em cavalgadura
Esses textos teatrais
São teus rastros florais
Negros que teu orgulho
Nessa sociedade que produz.
Não exagera
Essas fome de fera
 Compreende
Entende
Se perdoa
  Se doa
  Não se perde
     Não inerte
Através de teu copo fosco
   Limpa a lente.
    Distribui
 A lenda flui
          Da vida imponderável
           Busca só sorrir
        Ao outro
          Existir
            Que tu renegavas
            Com desejo de extinção.
              Se abafaram essas pobres vozes
         e se tem tanta miséria no mundo
      Tá no teu quintal.
       Pois é tua também.

Conceiça Santos