quarta-feira, 15 de junho de 2011

Caso


Eu te basto...
Porque sou  teu veneno,
Sou tua cama desarrumada
Sou teu fogo depois da fumaça,
Sou o  rolo, o cabaré de Ozana!
Sou  querela  profana
Alegria. A língua nos orifícios
Teu murmúrio e teu silêncio.
Sou o cheiro de suor
Teu gozo e tua dor
Sou a bagunça dessa tua vida
Sou seu alívio e também sua ferida.
Sou o sangue que corre em você
Sou teu anoitecer
O calor que ao acontecer
Transforma Inverno em verão
Sou tua força, tua fé, teu chão
Tuas trouxas, teus cacos
Mas sou também tua agonia
Aquele módulo vil, tua polia
Sou tua bateria, a energia, teu parafuso
Faço rindo você ficar confuso
Sou tua lama, teu jogo miserável
Teu vício, tua peste afável
Tua heroína, teu êxtase!
Tua rosa tenra que por ti gasta-se
Tua louca, desgraça,
 Vaca, puta  com jeito de pura
Que faz você gozar e arder de loucura
Que te cala, que faz e você chora,
E contrariado me implora!
Sou tua mais fervente tontura
Sou teus dias não opacos,
Sou tua rampa,  tua estampa, teu fármaco.
Teu pelo, tua carne, teu poema
Teu palavrão, tua Moema
Sou teu quarto, tua cozinha
Teu pesadelo, teu medo, tua rinha
Teu demônio, teu tapa sexo
Tua verdade, te nexo
Faço valer, faço doer
Por que me nega, e diz que sem mim pode viver!
Basta um estalo e tu volta, se entrega
Me agarra, me lambe, chupa, esmega
Não quer ir.
É mágico, goza, dorme e sorrir!

conceiça santos